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domingo, 25 de março de 2018

Sobre (baixa) autoestima e seus poderes

A gente ama alguém e tem a sorte do amor tranquilo com sabor de fruta mordida, que não é aquele que a gente inventa. É a nossa música que toca sempre, segredos de liquidificador contados em cada oportunidade, dança com par o tempo todo e café docinho-docinho na medida certa. A reciprocidade sentida e saboreada.



Eu sei de tudo isso aí e sei da sorte real, da fortuna que é, da facilidade de se fazer acreditar em destino, coisas escritas nas estrelas e felizes-para-sempre. Mas não é na primeira briga que a gente percebe que o conto de fadas não é real. Nem na segunda ou terceira. Não é numa discussão, na verdade, nem numa DR ou nas crises de ciúme que geralmente aparecem na minha TPM.

É no meu olhar de amor para o ser amado, é eu olhar pra ele e perceber alguém lindo, inteligente, incrível e acolhedor. É ver o melhor dele crescendo em cada dificuldade minha com a vida e a presença dele pra me apoiar e me dar forças. É admirar o desenvolvimento emocional e pessoal do outro e perceber que se cresceu junto. E de repente...

De repente você volta a se comparar com tudo e todos e volta a ser inferior a todos e inferior a ele que sempre está ali dando o seu melhor. E sente a tristeza de perceber o quão grande ele é, e mseus próprios defeitos ficam latentes, óbvios, escancarados pro mundo ver. E na sua cabeça doente é bem claro que vocês não deviam estar juntos, que alguém grande assim merece alguém que brilhe igual. Que você se achar uma pessoa sortuda por estar acompanhada por alguém tão especial é na verdade quase uma burrice dele por estar dedicando parte da vida a alguém que só atrapalha.

Qualquer pessoa seria melhor no seu lugar e você nem tenta, só aceita sua inferioridade imposta por sua própria cabeça.
E recomeça a tentar listar as coisas boas dentro de si mesma, tentando sair desse buraco que você nem sabe como entrou, fugir dessa sua imagem borrada que as outras pessoas insistem em dizer que não enxergam.


sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Na fila do pão



E até quem me vê lendo jornal
na fila do pão, sabe que eu te encontrei

Viver é perigoso e eu cansei de repetir isso pra mim mesma. Já aprendi. Mas repito pra você: viver é perigoso! Porque em pleno dia se morre. E se apaixona e se ama.
Agora parei de misturar Guimarães, Clarice e Aguilar, vou direto ao ponto:
Minha amiga conheceu um moço e durante todas as semanas de conversas antes do primeiro beijo, dava pra perceber que ela estava feliz. Ela irradiava luz, sorrisos e gentilezas, estava com a pele e os cabelos mais bonitos, era lindo e gostoso ficar do lado dela.
Rolou o primeiro beijo, o segundo, terceiro, os encontros e a mágica aconteceu. Estão apaixonados, felizes e lindos. E eu posso te jurar que até quem vê minha amiga na fila do pão sabe que ela encontrou alguém.
Fiquei me perguntando se quando as pessoas olham pra mim elas sentem que eu encontrei alguém também. Nunca fui boa em disfarçar, sabe? Mas ó, na primeira semana, todo mundo no trabalho me deu bom-dia com sorrisos abertos que eu nunca tinha visto. Na segunda semana a chefa parou e conversou comigo sobre Beatles. Na terceira semana todo mundo parou pra comemorar minhas férias e até perguntaram sobre meu namorado sem eu ter dito um A. Até quem me vê em pé no ônibus lotado sabe que eu o encontrei.
E comecei a pensar nisso, pensar em todas essas pessoas que vagam por aí, nesse movimento pendular de ir de casa pro trabalho, faculdade, tomar café da manhã e almoçar. Penso nessas caras entediadas e olhares para vídeos no facebook e não vejo alguém.
Encontrar alguém é ver graça até no ônibus atrasado porque nada disso importa mais. Encontrar alguém é se encontrar no meio do caos e você de repente segue junto na tempestade com outra pessoa e com você mesmo. Ficamos entediados, sim, mas com um sorriso enorme no rosto, de quem sabe que existe um motivo a mais pra voltar pra casa, um motivo a mais para estar simpático, um motivo a mais para esperar o fim de semana.
Até ir buscar o pão de manhã é motivo de alegria. Porque

pra nós dois sair de casa
já é se aventurar
E antes que você me julgue (talvez eu já esteja dizendo tarde demais), eu não curto Los Hermanos. Mas encontrar alguém dá sentido pra velhas coisas superestimadas e alguns versos de LH de repente se tornaram reais.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Sobre o tempo que me agrada



Ultimamente minha mãe tem estado bem brava comigo porque eu peguei o costume de ir domir muito tarde e acordar bem cedo. Na verdade ela tem estado brava com isso porque além de eu não dormir tempo suficiente, não paro quieta no tempo acordada: saio com dois amigos por dia, leio mais de um livro ao mesmo tempo, lavo todas as minhas roupas enquanto me arrumo pra ir no cinema com o meu irmão.

Ela percebeu essa loucura em mim quando me chamou pra assistir um filme e eu falei que não tinha mais paciência pra filmes porque enquanto a gente tá na frente da televisão, a vida tá passando. Minha mãe achou graça na resposta porque meu irmão fala a mesma coisa. Ela sempre responde que a gente tem 17 e 23 anos, a vida ainda tá todinha na nossa frente, não carece pressa.

Me peguei pensando nisso na terça-feira quando um amigo meu comentou que a gente ainda tem muito tempo pra viver e concretizar nossos projetos pessoais. Até os oitenta anos falta muito, ele disse.

Mas hoje estou com o Holter. Vou poupar você leitor de todas as minhas piadas infames com o Holter e te contar que ele é um aparelhinho que fica conectado a mim durante 24 horas para monitorar meus batimentos cardíacos. Enfim, estou com o Holter e quando estou com o Holter, não posso usar o celular nem o microondas. Juro pra você que aquele tempinho a mais que eu ganhei na hora do almoço sem a cara enfiada no facebook e no instagram me deram muito o que pensar. E me deram saudade também.

Não do facebook ou do instagram, mas das conversas. Eu tenho amigos que moram longe, tenho amigos que eu vejo de vez em nunca, meus próprios pais eu encontro uma vez por mês. E almoço sozinha todo dia.

Não me importo de almoçar sozinha, mas mesmo com meu livro do lado, hoje foi bem solitário, sem o celular pra me mostrar que existem pessoas vivendo (digo isso porque as pessoas à minha volta estavam acompanhadas ou com a cara no celular - não vamos entrar na problemática do celular hoje, tá?).

O que eu quero dizer é que hoje eu fiquei o dia todo sem celular (ainda estou) e me veio com toda a força essa sensação de não estar vivendo. Mais especificamente, de não estar aproveitando as pessoas que apareceram na minha vida.

Eu já contei por aqui como eu tenho trabalhado em só manter na minha vida pessoas que eu realmente admire. É difícil, mas sinto que finalmente consegui e agora me pergunto porque me privo de conversar com elas! Se elas estão aqui, existe o motivo lindo de eu as ter mantido e existe o motivo mais lindo ainda de elas terem visto algo de bom em mim e terem ficado por isso. Focar o olhar o tempo todo no facebook e no instagram me roubou dessas pessoas. Pessoas reais, que não se preocupam em mostrar coisas bonitas que fizeram, mas em compartilhar momentos bonitos que viveram. E me agrada bem mais viver esses momentos com cada uma delas do que visualizar tudo por uma tela pequena.

Me agrada muito mais ter conversas que duram toda a madrugada do que sair a noite e beber até não saber do que raios eu estou rindo. Me agrada extremamente mais sentir o cheiro delas ao abraçá-las do que dormir só pra descansar e acordar só pra trabalhar.

Minha mãe também fala que quando era nova gostava de sair assim como eu. E de não perder tempo. Ela continua o discurso dizendo que a vida realmente passa sem a gente perceber mas que na verdade a gente encontra o equilíbrio de tudo. Eu fico só pensando que independente do equilíbrio ou do caos, a vida é boa e linda e perceber isso me parece o maior salto que qualquer humanidade poderia dar.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Sobre conforto

Un post condiviso da Natália (@aguilarzinha) in data:

Eu tenho um amigo que faz questão de me dizer sempre que me acha linda e que me ama. E funciona assim: ele manda mensagem falando "você é muito linda". E logo depois, as três palavrinhas "eu amo você".

Pra ele, me amar é bem simples e fácil e mesmo que ele me ache linda, me amar não tem relação com a minha imagem. Ele me ama e é isso.

Esses dias, eu estava no mercado para comprar molho de tomate e mesmo depois de pegar o que precisava, saí andando pelo mercado procurando algo que eu não sabia o que era nem onde encontraria. E bem no momento em que o sentimento de estar perdida começou a me sufocar, meu celular vibrou na minha mão e por mais que pareça brega, eu achei exatamente o que estava procurando.

Era a mensagem de um moço especial e eu percebi que amar alguém é o maior elogio que você pode dar para esse alguém. Entendi que aquele meu amigo me ama porque se sente confortável comigo. E acho que o amor é isso, né? Conforto. Um conforto quente e gostoso. Eu sei, porque é isso o que eu sinto por esse moço especial. E eu sei que existem amores diferentes, mas o conforto é o mesmo. É saber que seu coração tá em casa.

domingo, 28 de maio de 2017

Sobre pessoas



Pessoas aparecem na nossa vida o tempo todo. Aquela pessoa do metrô que te deu uma empurrada hoje é uma delas.
Aquele seu amigo que te mandou oi depois de tanto tempo também.
Algumas marcam demais e outras parece que nunca existiram. E isso é conhecimento geral e antigo.
Mas a gente nunca está preparado pras pessoas, né?
A gente quer empurrar de volta, quer mandar oi pra todo mundo.
Mais que isso, queremos marcar também, porque outro grande deus do mundo moderno (e com toda razão) é a Reciprocidade.
Até porque é gostoso demais conhecer pessoas, mas é deliciosa aquela conexão que garante a conversa seguinte. E a seguinte. E a próxima. E que cria a tal Reciprocidade. E a vontade de mergulhar na pessoa e não sair mais.

O nome disso é Carinho. Quando você já sabe demais de uma pessoa mas a vontade de conhecer até o último fio de cabelo transborda em você e te prende pra sempre.

E se depois de tanto tempo eu volto a escrever aqui, é pra te pedir, pra você mesmo, que está lendo isso aqui, pedir que você mergulhe. Sem dó nem piedade. Com amor. Não é todo dia que a própria Reciprocidade atravessa o seu caminho, é?

domingo, 27 de novembro de 2016

Sobre expectativas

25 de novembro de 2016. Encontrei esse texto que está em vermelho na parte de rascunhos do blog e não consigo lembrar de quando foi que eu escrevi ele. Mas ele é forte demais e eu lembro de quando estava me sentindo assim e lembro como é estar assim porque eu ainda fico assim as vezes. Ah, o título é esse aí mesmo, já tava anotado. Vai ver na época eu não tive coragem de postar...



Eu achava e achei realmente que quando estivesse trabalhando tudo ficaria alinhado, tipo os planetas, sabe?
Mas eu esqueci que em todas as lendas e presságios, quando os planetas se alinham algo bizarro acontece: o sol queima a terra, algum gigante maldito se levanta, guerra entre os mundos começa, dilúvios e ventos nos varrem da existência. Nunca algo bom. Nunca as flores renascem, nunca abraços desenfreados por aí, nunca a paz mundial.Pois bem. Tudo estava alinhado na esfera da minha vida e de repente começou a tempestade tropical aqui dentro. E depois os tufões e terremotos e vulcões. Mais tarde a guerra. Hoje a última pilastra que segurava o teto rachou e tudo desmoronou de vez.O tempo raro pra mim e pros outros que me restava e me segurava bem resolveu se voltar contra mim e fazer eu me sentir sozinha e abandonada.Mas antes fosse só isso! Eu sei que ainda tenho pessoas que eu gosto por perto e por incrível que pareça estou mais concentrada pra estudar e ler meus livros, ainda estaria bem se fosse só isso. Mas com a solidão vem algo bem mais forte e difícil de lidar. Sabe a autoestima, aquela que quase não é encontrada? Ela é medrosa e caprichosa e odeia estar por perto nesses momentos. Mas quem gostaria de estar por perto? Eu fugiria se pudesse. Mas agora, sem tempo, sozinha, sem autoestima, a esfera alinhada da minha vida tá se dissolvendo e bagunçando de novo minha cama, meu quarto, minha mochila, os textos da faculdade, meu sono. Meus pesadelos voltaram e não quero mais dormir por causa deles. Mas também não quero mais levantar da cama. Não quero fazer vídeo, não quero ler, não quero escrever pro blog nem fotografar. As crises existenciais da adolescência realmente vão embora. Mas eu não devia ter me iludido achando que a próxima fase seria mais fácil ou mais simples. Viver maquinalmente nunca foi uma opção pra mim. Mas viver com dor também não.

sábado, 26 de novembro de 2016

Onde é eu fui parar?



Eu reparei que estava assim quando eu fui pro parque Villa-Lobos com o pessoal do italiano.
Fiquei lembrando da foto tirada naquela saída da estação e depois de todas as outras tiradas dentro do parque e das tardes passadas fazendo nada e as chegadas em casa com a pele muito vermelha e ardida. Aliás, cheguei assim naquele domingo. Acho que eu nunca vou aprender.
Pensei em como eu nunca ia pra lá sem você e como de repente eu já fui até com um moço. E eu fiz muito mais que nada lá. Eu já andei de bicicleta, tirei foto, brinquei com cachorrinhos, fui em shows, minha amiga foi pedida em casamento lá.
Hoje eu fiquei sabendo uma coisa de uma cantora que eu amo e quase abri o whats pra te contar a novidade quando lembrei que não falo com você há um ano. Quando vejo fotos suas, eu nem sei mais que é você. Eu olho pro seu rosto e ele não me diz mais nada.
Cássia Eller já tinha ensinado que o pra sempre sempre acaba mas a gente nunca acreditou. Eu não acredito nisso até hoje mas por via das dúvidas, nunca mais usei essa expressão.
Daí eu lembrei de todos os shows e fotos com o 5 a seco, os livros que eu comprei, os rolês perdidos em São Paulo e olha tanta coisa eu fiz com você! E quando a gente foi se afastando, eu comecei a ficar meio perdida e de repente começou a acontecer tanta coisa legal na minha vida, que eu não sabia mais como agir!
Quando foi que eu mergulhei em você e me transformei em você? Foi um ano inteiro pra me desfazer de você e mais que isso, foi um ano pra saber do que eu realmente gosto e como eu realmente me visto, como eu realmente me pareço, como realmente é o meu cabelo, como realmente é o meu cheiro. Como olha só, eu sou bonita!
E hoje em dia, quando eu faço alguma coisa que eu sei que você faria ou vejo algo que você gostaria de ver, eu me assusto e me intrometo em mim pra saber se não é você querendo sair de mim de novo.
Mas nesse um ano de introspecção, aprendi que não tem problema algum você ter sido minha melhor amiga e agora eu nem querer saber como você tá. Não é maldade minha. Eu e você era uma coisa que acabava comigo e me eclipsava e talvez isso não seja culpa de ninguém e talvez mesmo seja culpa minha. Mas a sua figura não me faz mais bem e eu me lembro disso o tempo todo pra poder me impôr mais nas pessoas pra elas saberem quem sou eu e que sou eu ali. Eu, Natália, não Nati, Naná, Lia, Marcela, não. Natália e só. Eu sou eu e eu me faço todos os dias com as coisas que eu mesma trago pra mim e essa foi a maior conquista que você poderia me dar sem ter realmente me dado.


quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Nothing Hill é aqui


Eu demorei uns 13 anos pra perceber que eu não era especial. Que eu sou como todo mundo é.
A partir dessa descoberta, eu passei a me diminuir e diminuir até não saber mais como eu era. Todas as garotas eram delicadas e lindas, com o cabelo comprido maravilhoso e o meu era todo embaraçado. As que tinham o cabelo curto eram maravilhosas e empoderadas e eu nunca ficaria bem se cortasse o meu.
Percebi de repente que a garota que eu dizia que era minha melhor amiga me colocava mais e mais pra baixo. Hoje eu vejo que ela não tava tão bem assim e eu me comparava a ela e me rebaixava mais ainda. Acho que ela nunca me diminuiu, eu me coloquei muito abaixo dela e a verdade é que nunca vou me recuperar disso.
Mas com a distância que eu coloquei entre eu e as outras pessoas que eu conhecia e amava, eu me aproximei de outras de alguns jeitos que eu nunca pensei que fosse capaz. Conheci alguns rapazes e me apaixonei um pouquinho por cada um deles e hoje em dia é muito legal perceber como cada um deles me enxerga.
O que era uma coisa esquisita e não eu, me ajudou a descobrir como eu sou. Me afastei deles todos também e alguns voltaram.
Voltaram de um jeito bagunçado e eu descobri que, também de um jeito bagunçado, eu sou inesquecível.
Eu sou tudo o que eu achava lindo nas outras garotas e mais porque sou eu. Eu sou a única pessoa que tem controle sobre a minha vida e saber disso é tão incrível que eu nem consigo mensurar.
Essa semana eu vi uma das minhas melhores amigas, conversei todos os dias com o cara que eu gostava quando tinha 18 anos, fui sozinha no meu lugar favorito. Foi a melhor semana de todas. Todas que já existiram. Só porque eu descobri que eu sou eu e ninguém mais.
E agora agorinha, acabei de assistir pela primeira vez o filme Um lugar chamado Nothing Hill e eu odiei o personagem principal porque ele sou eu!
Ele é maravilhoso e é pisado pela mocinha o tempo todo mas sempre que ela dá atenção pra ele, ele volta correndo pra ela. Eu sou assim. Eu sempre vou voltar correndo pra vocês todas as vezes que vocês disserem que eu sou linda e maravilhosa, mesmo que não se responsabilizem pelo sentimento que trouxerem em mim com suas palavras.
Mas agora é diferente. Porque eu não tenho mais 18 anos mas "nunca é tarde demais pra fazer as coisas que eu não tive coragem de fazer".
E mesmo que eu tenha reparado isso agora, percebi que tenho agido assim há meses e foram os melhores meses da minha vida.
Talvez eu tenha aprendido, afinal. E isso não significa que eu vá ser a pessoa incrível que tô me sentindo agora. Só quer dizer que eu vou voltar a me sentir bem mais vezes.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

De novo e quantas vezes for preciso



Eu já mudei tantas coisas em mim, no meu computador, no meu celular por sua causa, que perceber de repente que a nossa relação é sempre essa coisa que volta pra estaca "briga todo dia/você nunca me entende/ a gente só se desencontra.
E de repente eu sou sempre a primeira a mandar mensagem e de um jeito estúpido você faz piada disso e dá uma resposta idiota quando eu fico nervosa por causa disso e isso vai me cansando.
Você precisa e precisa e precisa de mim e me suga e me suga e me suga e quando eu tô precisando, você não consegue perceber a hora de parar de brincar e mesmo dizendo que não, você sempre dá a impressão horrorosa de não se importar.
Cansei.
Não vou mandar mensagem amanhã, nem depois de amanhã nem no resto da semana e olha só, o whatsapp não estar funcionando só vai ajudar, porque você vai dar a desculpa de os outros aplicativos de mensagem não funcionarem direito no seu celular e não vai vir conversar comigo.
O pior é isso tudo já ter acontecido, eu já ter ficado quase um semestre inteiro sem falar com você e você vir correndo falando que sentiu minha falta e pedindo pra eu nunca mais fazer isso.
Cansei de me achar uma pessoa horrível porque eu briguei com você quando você tava mal. Porque você não consegue nem tentar compreender quando eu tô mal.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Primeiro de abril




Você não chegou e agora eu só queria encontrar alguém que pudesse me abraçar. Tô tão perto da sua casa, você podia estar por aqui e me levar pra sua cama e me cobrir até o meu ar voltar. Tá tão quente hoje e eu queria tanto conseguir respirar! Talvez se eu te visse meu coração sofreria uma taquicardia e todo esse mal estar passaria.
Sabia que quando o seu coração sai do ritmo seu corpo sente ansiedade? Isso explica muita coisa, na verdade.
Explica eu estar nesse ponto de ônibus que vai atrasar o meu dia, explica eu ter feito o caminho mais longo pra ficar sozinha bem quando eu não queria ficar sozinha.
Mas não quero estar com toda essa gente vazia de sentido, com esses rostos que não significam nada pra mim.
Eu fui subir um degrau agora e quando meu pé alcançou o chão, não havia degrau algum. E o meu dia inteiro ta assim. Você não apareceu, eu vi quem eu não queria, a aula foi horrível, eu to com fome, sede e vontade de fazer xixi. Mas o que eu to sentindo mesmo é vontade de me redimir, tirar da consciência esse peso das coisas que eu não fiz na vida.
A maior parte delas porque faltou coragem ou sobrou vergonha. Mesmo sabendo que só quem me veria fazendo essas coisas seriam essas pessoas sem rosto. Elas nunca farão sentido.
Sempre vai ser um ônibus cheio de gente desconhecida, te tocando, te empurrando, ouvindo a melhor música da vida delas e não podendo cantar, passando em frente ao melhor lugar do mundo e não podendo descer.
De novo o degrau. Mas dessa vez ele existe e é enorme, eu pulo e não consigo alcançar a borda. Eu to presa por esse muro liso e alto, por essas pessoas julgadoras que nem sabem meu nome, por essa época cheia de não me toques e por mim que não sei quem eu sou muito menos pra onde afinal eu to indo.
Só que eu não sei onde é esse lugar que eu quero chegar, nem o que vai ter lá, mas me desespero porque parece que ele não chega nunca, eu não consigo andar, tem esse muro-degrau, tem essas pessoas, tem a Marcela e a Paula e não tem ar!
Tem um coração batendo errado e uma vontade de dormir e não acordar, que se eu não resistir, vai ser o que vai acontecer, literalmente. De verdade. For real.
 Che venga la serenità. Que venha o ar e o sangue e o amor ao sol.
O amor.
Você é uma das poucas coisas que eu não fiz porque faltou coragem E sobrou vergonha. E eu nem consigo ficar brava com você e isso faz eu ficar brava comigo. Quase 22 anos e mais do que o sentimento de ter 16, de parecer ter 16, de querer ter 16, meu corpo ta voltando à condição que tinha com 16.
 Mas o amor abria a janela do ônibus pra eu respirar e dessa vez o amor não ta mais aqui e você não apareceu.
E o dia ainda não acabou pra que alguém me diga que é primeiro de abril.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Sobre pessoas más, influências e respeito

Essa semana eu percebi que voltei a julgar as pessoas como boas e más.
Mas calma. Não saio julgando as pessoas por aí. Mas eu percebo a forma como elas agem e algumas são realmente más. Não se importam com quem está do lado.
Mas vou me ater apenas ao que aconteceu hoje porque a história é longa e com sorte você vai entender o que eu quero dizer com pessoas más. Se não entender, espero que você consiga me perdoar.



Eu estava no ônibus, indo pro trabalho e no fundo estavam sentadas três mocinhas. Uma delas não parava de falar e falava alto, então achei que eu estava no direito de ouvir, já que não tinha como não prestar atenção no que ela dizia.

E ela começou a contar sobre uma garota que entrou esse ano na escola dela. A tal menina tem 16 anos e é toda tatuada porque o pai dessa menina é tatuador e quem faz as tatuagens dela é ela mesma. E ah, ela tem cabelo rosa (a tatuada). Mas veja bem, a mocinha do ônibus falou tudo isso com um desprezo na voz! Como se uma pessoa não pudesse ter tatuagens, nem ter cabelo rosa, ou entrar do nada na escola que você estuda. Só que as explicações do desprezo dela foram: 
- a menina não pode ter tatuagem porque tem 16 anos. 
- a menina não pode fazer as próprias tatuagens porque as tatuagens que ela faz são horríveis.
- a menina não pode ter cabelo rosa porque o cabelo secou inteiro e tá todo cheio de ponta dupla e parecendo palha rosa.



Agora te pergunto: quem vai viver com as tatuagens? Quem vai ter que cuidar do cabelo rosa? Quem vai ter que fazer novos amigos? Quem vai ter que melhorar na arte de tatuar?
Com certeza não é a moçinha do ônibus. Então porque ela se importa tanto? Porque não deixar a menina rosa ser quem ela quer ser e fim? O que ela tá perdendo deixando a menina rosa ser quem ela quer ser?

Mas calma, querido, tem mais.
Dia desses a mocinha do ônibus levou o carregador do celular pra usar no intervalo e aparentemente a menina rosa comentou com uma gordinha (que pra mocinha do ônibus é feia porque é gorda - mas já chego nesse ponto): mas quem traz carregador pra escola!?
E a mocinha do ônibus respondeu toda atravessada que o celular era dela e ela fazia o que bem quisesse. E ainda virou pras amigas no ônibus e disse: o que muda na vida dela se eu levo ou não o carregador do meu celular?



Mas mocinha, eu que pergunto! O que muda na sua vida ela ter cabelo rosa, ela ter tatuagens, ela fazer a própria tatuagem? Se ela foi insolente com você, porque você tem que ser insolente com ela?

Mas enfim. Essa mocinha é má, entendeu? Ela ficou falando mal da menina rosa só por falar. E da menina gordinha também. Aliás, assim que ela terminou de falar da menina gordinha, ela disse pras amigas: e vocês viram como eu tô magra? Fui comprar uma calça e o menor número ficou folgado na cintura de tão magra que eu tô! (não se enganem, ela estava feliz!).

E uma amiga até disse que elas tinham que ir num médico porque a mocinha tava emagrecendo sem parar. E a mocinha começou a falar que o que essa amiga tinha mesmo que fazer era levar ela numa agência de modelo porque ela tinha que ser modelo do jeito que tava magra. E que as pessoas elogiavam e falavam que ela parecia modelo e ela tinha que ser modelo, quero ser modelo, sou magra, sou linda, sou modelo. E amiga disse que quem tem que levar ela é o pai dela. A outra amiga comentou que pra ser modelo não tem que ser só magra. A mocinha rebateu dizendo que a amiga disse isso só porque não é magra.



O que me fez chegar em algumas conclusões:
- ela é menor de idade, porque precisa que alguém a leve pra onde ela quer.
- ela tem distúrbio alimentar, porque as amigas perceberam o quanto ela está emagrecendo e ela fugiu do assunto "ir ao médico"
- ela é influenciada pelas pessoas que dizem que ser magra é sinônimo direto de ser bonita.
- ela influencia as amigas dizendo que ela é a bonita do grupo porque é a mais magra.
- ela é uma péssima amiga e péssima pessoa no geral porque tem que rebaixar as meninas que estão ao redor dela pra mostrar o quanto ela mesma é bonita.

Algum dia, eu espero que esse dia chegue logo, as amigas vão perceber o quão babaca a mocinha é e vão parar de elogiar e parar de estar presente. O que vai ser horrível pra mocinha que vai querer mais e mais atenção, e na verdade a culpa nem é dela (mas já chego nesse ponto). Vai ser ruim pras amigas porque até lá, a auto estima delas vai estar em frangalhos porque elas nunca vão conseguir ser perfeitas como a mocinha amiga delas, os caras nunca vão gostar delas como gostam da mocinha, enquanto na verdade ninguém gosta da mocinha.


Veja bem, nada de errado em tudo isso. O problema é que as meninas são magras demais e o que passa pra nossa cabeça é que todo mundo que é bonito é daquele jeito e que se você fizer exercícios você vai ficar daquele jeito. Mas a menina magra é cercada por um super browne, depois um cookie cheio de chocolate, balas e vodca. Como a menina vai ficar magra daquele jeito se vai ficar comendo tudo isso? A "solução" pra ela são todos os distúrbios alimentares que a gente tá cansado de conhecer. 

O problema só piora com as imagens de amigas magras e loiras numa praia, depois uma moça magra e loira com um cara forte e barbudo. Essas cenas só existem ali mesmo, no estúdio fotográfico em que foram criadas. Mas na cabeça de uma adolescente aquilo é acessível se você tentar ficar como ela, bonita como ela. E na verdade aquela felicidade toda é mesmo acessível mas do jeito que ela é, com o cabelo enrolado, brasileira, magra, gorda, morena, com um braço amputado ou de cadeira de rodas. A gente escolhe ver o que é bonito. A beleza é algo criado. 

E não é só no We heart it que a gente vê esse tipo de coisa. Me conta quantas atrizes gordas e negras você conhece e que todo mundo endeusa. Me conta quantas atrizes de cadeira de rodas você conhece. Me conta quantos atores existem que não são másculos e barbudos e jorrando masculinidade.

A culpa não é da mocinha do ônibus. O jeito que ela achou de ser bonita como as pessoas que ela vê na tv, nas revistas e na internet (vai ver as youtubers de sucesso como são!) foi arranjando um jeito de ser magra e de fazer as amigas concordarem. Porque a gente tá numa época no mundo onde a gente só acredita se as pessoas esfregam na nossa cara o que acham. (e é engraçado como se a opinião não é a que a gente quer, a gente rejeita).

O nosso prazer e satisfação pessoal tem sido moldado e estruturado em cima do que uma pessoa é e o que outra pessoa pensa sobre a gente. E enquanto essa pessoa não acha a gente legal e enquanto a gente não fica parecido como a outra, a gente fica mal e faz as outras pessoas mal porque elas acabam se comparando com a gente.



Agora eu já tô cansada e vou terminar o texto, tá bom?
É óbvio que nem só coisas ruins é feita a internet. Muito menos o We heart it. Uma prova disso é a imagem aí em cima. E esse ano eu percebi que você pode muito bem filtrar o que entra em você e o que sai de você. Tudo é inspiração. Mas inspiração é diferente de influência.

domingo, 28 de junho de 2015

Sobre medos e sobre ter pisado na bola

Você é uma das poucas pessoas que fazem eu ficar imaginando diálogos e situações e felicidades construídas. Adoro nossas piadas e são nelas que eu me apoio quando penso em deixar você pra lá.
Você me deixa ansiosa. Com vontade de te agradar e fazer que você goste de mim e de ser boa pra você.
Mas as vezes parece que eu sou chata e te encho e que você não quer conversar e eu paro de falar com você e você não vem falar comigo.
E eu me sinto abandonada. E você se sente abandonado.
 E quando a gente volta a conversar e a contar as piadas, é tudo tão lindo e no lugar e você é tão acessível e gentil que eu me pergunto como tive coragem de te abandonar e me abandonar desse jeito e me sinto mal e feia e suja, injusta e não merecedora de você.
Porque você é lindo de uma maneira que ninguém nunca foi e eu "sou fraca para pessoas apaixonantes".
E se é pra citar a cultura pop porque eu nunca sei falar nada disso, então "perdoa o drama e não desiste de mim". "Porque metade de mim é amor e a outra metade também."
E eu terminaria tudo olhando bem no fundo dos seus olhos e dizendo pra você não esquecer: "kiss me hard before you go". E claro: não esquece que eu ainda não gosto de azeitona.

sábado, 30 de maio de 2015

"Você tem medo de querer"

Andei conversando sobre o amor. De novo. E descobri que todo mundo sabe o que é. Mesmo que algumas pessoas neguem, como eu.
É óbvio que andei pensando nisso também. É um assunto que nunca se esgota e olha, considerando tudo o que falam sobre ele, é melhor que não se esgote mesmo.
Aí nesses últimos dias eu me dei uma folga, aproveitei a paralisação de sexta e a Geek Week pra relaxar e rir e sentar na frente do computador e tudo saiu mais lindo que o esperado e o inesperado é lindo mesmo e fez o assunto voltar de tantas formas!

Primeiro de forma simples, numa imagem do face, que é claro que eu tive que trazer pra cá:

Fonte


Eu vi a imagem, li cantando e me perguntei: ué, conheço essa música? E forcei a memória pra cantar a estrofe inteira: Você não tem medo de mim, você não tem medo de mim, você tem medo é do amor que você guarda para mim.

E levei o primeiro tombo.

Lembrei que eu cantava essa música pensando num menino, um pseudo relacionamento e percebi que na verdade eu devia cantar pra mim mesma! Eu sempre fujo e me escondo porque eu sei que eu amo demais e demonstro demais e as pessoas odeiam isso e a verdade "é que eu sou fraca demais para pessoas apaixonantes" e o amor que eu tenho guardado é grande demais e acho que ninguém vai saber lidar com ele. E claro, todos que entram na minha vida são apaixonantes e isso é um sério problema.

Continuei minha vida e levei o segundo tombo.

O amor as vezes aparece de forma sutil, sincera e mais bonita do que dizem: vem em saudade e ela faz a gente cometer mais loucuras do que o amor em si. E percebi que eu não sei lidar com isso. Não sei lidar com a saudade dos outros, com a demonstração de carinho dos outros e com a minha saudade. Não sei lidar, só isso. Duvido que um dia eu vá saber.

E levei o terceiro tombo.

De novo no face, de novo de forma trivial, de novo a sabedoria.

Fonte

Quem ama transborda e eu sempre transbordei. Até que veio o tal pseudo relacionamento e pessoas parecidas que não sabiam lidar com o meu amor e o meu carinho e a minha saudade e me moldaram e amedrontaram e eu caí. Quem ama transborda e se quem eu amo não aceita se molhar no meu amor, está perdendo sensações e vivências e alegrias inéditas até pra quem já teve tudo isso. Quem ama transborda e não é como se fosse parar ou se esgotar a fonte. Quem ama transborda e não guarda amor pra ninguém. Isso não significa que quem transborda saiba lidar com todo esse amor. Significa só que a dor não importa muito.


terça-feira, 26 de maio de 2015

Ordens

Você não fala isso mas sabe que sente. Sente que todo mundo que entra em contato com você vai se apaixonar por você. Esquece isso.
Deixa vir de surpresa, quando você não estiver vendo. O vento deve estar batendo e você só está olhando a lua. Aprende a aproveitar o cabelo voando, o frio na barriga, a vontade de mergulhar.
E pula! Não empurre nem puxe ninguém, mas pule, aproveite, puxe papo e confie mais!
Promete que vai confiar? É óbvio que você não é aquela pessoa apaixonante, mas não é odiável. Isso conta muito. Só aceita. Sei que você não consegue confiar ainda.
Mas fecha os olhos de vez em quando, deixa a pessoa do seu lado te guiar, tá? Tenta imaginar a imagem que ela tem de você e tenta ser essa imagem, pelo menos por um dia. Mas só por um dia. Aquilo é só uma imagem, ainda não é você. Nunca vai ser. Mas é um pedaço de você em outra pessoa. Cole esses pedaços em você.


quarta-feira, 1 de abril de 2015

O que é imortal talvez só seja repetição

No final é tudo verdade o que dizem. Sabe? Sobre as pessoas não mudarem e tal.
O que não contam pra gente é que você é uma pessoa também. Você fica esperando a outra pessoa mudar e dá todas as dicas pra isso acontecer porque você já cansou de ser tolerante e não quer ser ignorante quanto a isso.
Você dá um tempo. E quando vai ver, quem na verdade precisava mudar era você e a pessoa foi muito mais tolerante do que você conseguiu e mais que qualquer outra poderia ser capaz. E de quebra ainda te diz que você não vai mudar e te aceita assim mesmo.
E descobre que se você está sozinha, é porque você se afastou e sente dor ao perceber que pra você, os falsos companheiros de viagem e os que estão desde o começo, se tornaram a mesma massa escura e barulhenta e por isso você parou pra que essas pessoas te passassem. E quando não funcionou você saiu correndo e não está mais olhando pra trás por puro capricho. E isso vai continuar acontecendo e vai afastar pessoas importantes.
E vai doer e passar e doer e passar e doer e passar...


terça-feira, 24 de março de 2015

Querências

Quando eu tô com você eu fico com vontade de ser sexy. E ser bonita,muito bonita. Eu fico com vontade de fazer você se apaixonar por mim. E de te fazer rir. Eu queria que você me fizesse rir. Queria me apaixonar por você. Quando eu tô com você eu tenho vontade de te abraçar e não te largar mais, tenho vontade de te beijar até eu morrer sem forças. Eu quero que você me conte histórias. Queria ter mais histórias pra te contar. Queria que você me quisesse sempre do seu lado. Queria que você tivesse preguiça de sair de perto de mim. Queria te fazer bem. Quero ter mais preguiça de ir embora. Quero assistir filmes, ler e ouvir música enquanto você trabalha e estuda. Quero fotografar você, cada pedaço de você. Queria te fazer um chaveiro e te levar comigo sempre. Queria te comer de colher. Queria que você me engolisse. Queria mesmo que você não me esquecesse. Quero esquecer que te conheci.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Minha vida como as minhas pipocas

Sabe epifania? Então, tive uma hoje.
Já há alguns dias eu estava morrendo de vontade de comer pipoca mas não tinha óleo aqui em casa. Aí dia desses fui ao mercado só por causa disso, olha a loucura!
Hoje finalmente fui fazer pipoca. Coloquei o óleo, o milho, liguei o fogo e lá foi a pipoca ficar pronta.
Doce ilusão.
Metade não estourou e metade ficou queimada. Nada se aproveitou. Onde eu errei?
Fiquei pensando no assunto enquanto limpava a panela e percebi que alguns grãos pararam na metade da transformação. Foi quando reparei que eu colocava o milho no fogo baixo justamente por medo de queimar a pipoca e nem me liguei que era justamente isso que as queimava.
E enquanto esfregava a panela pra tirar todo aquele treco queimado e grudado, fui fazendo ligação com a minha capacidade de me relacionar com as pessoas. Nunca me coloco no fogo alto por medo de me machucar, Nunca falo pras pessoas o quão importante elas são pra mim por medo de elas me acharem idiota. Não começo conversas com as pessoas por medo de atrapalhá-las e nem reparo o quanto isso me deixa longe delas. Nunca me permito ficar empolgada com um cara que me empolga por medo de saber que existe 50% de chance de dar errado (e na minha cabeça imbecil isso é quase o mesmo que dizer que vai mesmo dar errado). E o que é ainda pior: não deixo o tal cara se empolgar comigo pelo mesmo motivo.
O resultado disso é essa crosta escura, grudenta e áspera que não sai por mais que você esfregue. Ela só sai conforme você vai usando e eu fico com medo de me usar e me sujar mais. Estou me usando errado. Ainda tenho medo. Ainda tenho chances?



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Sobre ser um ano novo

O tanto que eu falei que tudo foi um grande mal entendido e que hoje tudo estaria bem se houvesse comunicação como se deve naquela época não está escrito em lugar nenhum.
Ainda acredito nisso, sério mesmo. Principalmente porque a gente acreditou tanto que se conhecia que hoje em dia tudo está ainda mais bagunçado.
Mas não tem como não aceitar o fato que se houvesse comunicação e hoje estivesse tudo bem, não estaria o melhor que se pode ser.
Porque a história sempre se repete, todo mundo sabe disso mas ninguém nunca está preparado. O importante, então, é saber identificar a situação que já foi vivida e ficar relembrando o que foi que deu errado. E o errado foi a comunicação.
E agora, com tudo à flor da pele, é impossível não comparar. Sei que você odeia comparações e eu comecei a odiar também, mas é impossível e mais que isso, é preciso comparar.
Se eu não tivesse comparado, não perceberia o quão errada eu estava sobre você. Sobre tudo em você.
Se eu não tivesse comparado, não teria visto que até eu estava errada com você, eu não me percebia, eu me cobrava, eu me moldava, me limitava, eu não me abria.
Eu me achava feia e mais que isso, só me achava bonita quando estava com você e porque achava que você me queria. Não sei quanto disso você sabia. E não estou te culpando.
Estou me culpando. Porque fui eu quem te deu todo esse poder sobre mim e me fechei pra tudo. Fui eu que me larguei à deriva do mundo e não me impus pra você mesmo sabendo que tudo o que a gente estava vivendo dependia daquilo. A gente estaria feliz e dando risada até hoje, sem discussões e tantos pedidos de desculpas.
Mas a gente não teria alcançado o máximo de felicidade possível. Tudo era tão sério e pra agora que nada deu certo. Risadas são bem vindas e deviam ser a primeira preocupação. Mesmo com outras preocupações e prazos.
E é isso. Essa é a minha chance e só estão me exigindo coragem.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Sobre não estar bem

Da exposição "O mundo segundo a Mafalda"

Tá doendo.
Eu prometi pra mim mesma que essa dor eu não iria estender tanto (apesar de saber que até a tristeza merece e precisa ser sentida de vez em quando). Mas dói. Dói e de vez em quando eu não aguento. Me dá falta de ar e essa dor traz outras e eu me sinto morrer.
Mas na verdade eu tô viva e falando errado. Viva e sem a capacidade de chorar. Viva e me achando feia. Viva e achando que não vou aguentar mesmo então porque não curtir essa fossa?
Porque não faz bem, Natália!
Sabe aquela história? Uma vez x sempre x? Então, tenho medo. Uma vez triste sempre triste. Aliás, essa regra se aplica em tudo?
Sério, não consigo respirar. Quando isso vai passar? Onde estão as pessoas de coração partido nesse mundo? São todas idiotas ou quem partiu o coração delas é que não presta?
Socorro!
Eu quero ser eu! Quero ser eu sem dores e tristezas e lágrimas que não passam! 
Como faz pra voltar a ser aquela sorridente? Aquela que pulava e ria e se divertia?
Eu disse que queria conhecer alguém empolgante. Mudei de ideia. Eu quero ser alguém empolgante. Eu sei que já fui, só não sei onde me perdi.


sábado, 27 de dezembro de 2014

Numa madrugada qualquer


Riobaldo, tu achasses que, uma coisa mal principiada, algum dia pode que terá bom final feliz?

 Numa madrugada qualquer, dessas que foram feitas pra se jogar conversa fora, duas pessoas conversam.

- Tenho vinte anos, não vou ficar enrolada num cara pro resto da vida! (com convicção)
- Acredita mesmo nisso? (querendo ouvir a verdade)
- Não. (olha a sinceridade)
- Eu também não. (eles nem se conheciam direito)

E agora eu repito a pergunta feita ao Riobaldo. Simples.

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Pergunta feita na página 504 da edição da Nova Fronteira.