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quinta-feira, 1 de junho de 2017

Sobre conforto

Un post condiviso da Natália (@aguilarzinha) in data:

Eu tenho um amigo que faz questão de me dizer sempre que me acha linda e que me ama. E funciona assim: ele manda mensagem falando "você é muito linda". E logo depois, as três palavrinhas "eu amo você".

Pra ele, me amar é bem simples e fácil e mesmo que ele me ache linda, me amar não tem relação com a minha imagem. Ele me ama e é isso.

Esses dias, eu estava no mercado para comprar molho de tomate e mesmo depois de pegar o que precisava, saí andando pelo mercado procurando algo que eu não sabia o que era nem onde encontraria. E bem no momento em que o sentimento de estar perdida começou a me sufocar, meu celular vibrou na minha mão e por mais que pareça brega, eu achei exatamente o que estava procurando.

Era a mensagem de um moço especial e eu percebi que amar alguém é o maior elogio que você pode dar para esse alguém. Entendi que aquele meu amigo me ama porque se sente confortável comigo. E acho que o amor é isso, né? Conforto. Um conforto quente e gostoso. Eu sei, porque é isso o que eu sinto por esse moço especial. E eu sei que existem amores diferentes, mas o conforto é o mesmo. É saber que seu coração tá em casa.

domingo, 28 de maio de 2017

Sobre pessoas



Pessoas aparecem na nossa vida o tempo todo. Aquela pessoa do metrô que te deu uma empurrada hoje é uma delas.
Aquele seu amigo que te mandou oi depois de tanto tempo também.
Algumas marcam demais e outras parece que nunca existiram. E isso é conhecimento geral e antigo.
Mas a gente nunca está preparado pras pessoas, né?
A gente quer empurrar de volta, quer mandar oi pra todo mundo.
Mais que isso, queremos marcar também, porque outro grande deus do mundo moderno (e com toda razão) é a Reciprocidade.
Até porque é gostoso demais conhecer pessoas, mas é deliciosa aquela conexão que garante a conversa seguinte. E a seguinte. E a próxima. E que cria a tal Reciprocidade. E a vontade de mergulhar na pessoa e não sair mais.

O nome disso é Carinho. Quando você já sabe demais de uma pessoa mas a vontade de conhecer até o último fio de cabelo transborda em você e te prende pra sempre.

E se depois de tanto tempo eu volto a escrever aqui, é pra te pedir, pra você mesmo, que está lendo isso aqui, pedir que você mergulhe. Sem dó nem piedade. Com amor. Não é todo dia que a própria Reciprocidade atravessa o seu caminho, é?

domingo, 27 de novembro de 2016

Sobre expectativas

25 de novembro de 2016. Encontrei esse texto que está em vermelho na parte de rascunhos do blog e não consigo lembrar de quando foi que eu escrevi ele. Mas ele é forte demais e eu lembro de quando estava me sentindo assim e lembro como é estar assim porque eu ainda fico assim as vezes. Ah, o título é esse aí mesmo, já tava anotado. Vai ver na época eu não tive coragem de postar...



Eu achava e achei realmente que quando estivesse trabalhando tudo ficaria alinhado, tipo os planetas, sabe?
Mas eu esqueci que em todas as lendas e presságios, quando os planetas se alinham algo bizarro acontece: o sol queima a terra, algum gigante maldito se levanta, guerra entre os mundos começa, dilúvios e ventos nos varrem da existência. Nunca algo bom. Nunca as flores renascem, nunca abraços desenfreados por aí, nunca a paz mundial.Pois bem. Tudo estava alinhado na esfera da minha vida e de repente começou a tempestade tropical aqui dentro. E depois os tufões e terremotos e vulcões. Mais tarde a guerra. Hoje a última pilastra que segurava o teto rachou e tudo desmoronou de vez.O tempo raro pra mim e pros outros que me restava e me segurava bem resolveu se voltar contra mim e fazer eu me sentir sozinha e abandonada.Mas antes fosse só isso! Eu sei que ainda tenho pessoas que eu gosto por perto e por incrível que pareça estou mais concentrada pra estudar e ler meus livros, ainda estaria bem se fosse só isso. Mas com a solidão vem algo bem mais forte e difícil de lidar. Sabe a autoestima, aquela que quase não é encontrada? Ela é medrosa e caprichosa e odeia estar por perto nesses momentos. Mas quem gostaria de estar por perto? Eu fugiria se pudesse. Mas agora, sem tempo, sozinha, sem autoestima, a esfera alinhada da minha vida tá se dissolvendo e bagunçando de novo minha cama, meu quarto, minha mochila, os textos da faculdade, meu sono. Meus pesadelos voltaram e não quero mais dormir por causa deles. Mas também não quero mais levantar da cama. Não quero fazer vídeo, não quero ler, não quero escrever pro blog nem fotografar. As crises existenciais da adolescência realmente vão embora. Mas eu não devia ter me iludido achando que a próxima fase seria mais fácil ou mais simples. Viver maquinalmente nunca foi uma opção pra mim. Mas viver com dor também não.