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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Sobre o tempo que me agrada



Ultimamente minha mãe tem estado bem brava comigo porque eu peguei o costume de ir domir muito tarde e acordar bem cedo. Na verdade ela tem estado brava com isso porque além de eu não dormir tempo suficiente, não paro quieta no tempo acordada: saio com dois amigos por dia, leio mais de um livro ao mesmo tempo, lavo todas as minhas roupas enquanto me arrumo pra ir no cinema com o meu irmão.

Ela percebeu essa loucura em mim quando me chamou pra assistir um filme e eu falei que não tinha mais paciência pra filmes porque enquanto a gente tá na frente da televisão, a vida tá passando. Minha mãe achou graça na resposta porque meu irmão fala a mesma coisa. Ela sempre responde que a gente tem 17 e 23 anos, a vida ainda tá todinha na nossa frente, não carece pressa.

Me peguei pensando nisso na terça-feira quando um amigo meu comentou que a gente ainda tem muito tempo pra viver e concretizar nossos projetos pessoais. Até os oitenta anos falta muito, ele disse.

Mas hoje estou com o Holter. Vou poupar você leitor de todas as minhas piadas infames com o Holter e te contar que ele é um aparelhinho que fica conectado a mim durante 24 horas para monitorar meus batimentos cardíacos. Enfim, estou com o Holter e quando estou com o Holter, não posso usar o celular nem o microondas. Juro pra você que aquele tempinho a mais que eu ganhei na hora do almoço sem a cara enfiada no facebook e no instagram me deram muito o que pensar. E me deram saudade também.

Não do facebook ou do instagram, mas das conversas. Eu tenho amigos que moram longe, tenho amigos que eu vejo de vez em nunca, meus próprios pais eu encontro uma vez por mês. E almoço sozinha todo dia.

Não me importo de almoçar sozinha, mas mesmo com meu livro do lado, hoje foi bem solitário, sem o celular pra me mostrar que existem pessoas vivendo (digo isso porque as pessoas à minha volta estavam acompanhadas ou com a cara no celular - não vamos entrar na problemática do celular hoje, tá?).

O que eu quero dizer é que hoje eu fiquei o dia todo sem celular (ainda estou) e me veio com toda a força essa sensação de não estar vivendo. Mais especificamente, de não estar aproveitando as pessoas que apareceram na minha vida.

Eu já contei por aqui como eu tenho trabalhado em só manter na minha vida pessoas que eu realmente admire. É difícil, mas sinto que finalmente consegui e agora me pergunto porque me privo de conversar com elas! Se elas estão aqui, existe o motivo lindo de eu as ter mantido e existe o motivo mais lindo ainda de elas terem visto algo de bom em mim e terem ficado por isso. Focar o olhar o tempo todo no facebook e no instagram me roubou dessas pessoas. Pessoas reais, que não se preocupam em mostrar coisas bonitas que fizeram, mas em compartilhar momentos bonitos que viveram. E me agrada bem mais viver esses momentos com cada uma delas do que visualizar tudo por uma tela pequena.

Me agrada muito mais ter conversas que duram toda a madrugada do que sair a noite e beber até não saber do que raios eu estou rindo. Me agrada extremamente mais sentir o cheiro delas ao abraçá-las do que dormir só pra descansar e acordar só pra trabalhar.

Minha mãe também fala que quando era nova gostava de sair assim como eu. E de não perder tempo. Ela continua o discurso dizendo que a vida realmente passa sem a gente perceber mas que na verdade a gente encontra o equilíbrio de tudo. Eu fico só pensando que independente do equilíbrio ou do caos, a vida é boa e linda e perceber isso me parece o maior salto que qualquer humanidade poderia dar.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Sobre conforto

Un post condiviso da Natália (@aguilarzinha) in data:

Eu tenho um amigo que faz questão de me dizer sempre que me acha linda e que me ama. E funciona assim: ele manda mensagem falando "você é muito linda". E logo depois, as três palavrinhas "eu amo você".

Pra ele, me amar é bem simples e fácil e mesmo que ele me ache linda, me amar não tem relação com a minha imagem. Ele me ama e é isso.

Esses dias, eu estava no mercado para comprar molho de tomate e mesmo depois de pegar o que precisava, saí andando pelo mercado procurando algo que eu não sabia o que era nem onde encontraria. E bem no momento em que o sentimento de estar perdida começou a me sufocar, meu celular vibrou na minha mão e por mais que pareça brega, eu achei exatamente o que estava procurando.

Era a mensagem de um moço especial e eu percebi que amar alguém é o maior elogio que você pode dar para esse alguém. Entendi que aquele meu amigo me ama porque se sente confortável comigo. E acho que o amor é isso, né? Conforto. Um conforto quente e gostoso. Eu sei, porque é isso o que eu sinto por esse moço especial. E eu sei que existem amores diferentes, mas o conforto é o mesmo. É saber que seu coração tá em casa.

domingo, 28 de maio de 2017

Sobre pessoas



Pessoas aparecem na nossa vida o tempo todo. Aquela pessoa do metrô que te deu uma empurrada hoje é uma delas.
Aquele seu amigo que te mandou oi depois de tanto tempo também.
Algumas marcam demais e outras parece que nunca existiram. E isso é conhecimento geral e antigo.
Mas a gente nunca está preparado pras pessoas, né?
A gente quer empurrar de volta, quer mandar oi pra todo mundo.
Mais que isso, queremos marcar também, porque outro grande deus do mundo moderno (e com toda razão) é a Reciprocidade.
Até porque é gostoso demais conhecer pessoas, mas é deliciosa aquela conexão que garante a conversa seguinte. E a seguinte. E a próxima. E que cria a tal Reciprocidade. E a vontade de mergulhar na pessoa e não sair mais.

O nome disso é Carinho. Quando você já sabe demais de uma pessoa mas a vontade de conhecer até o último fio de cabelo transborda em você e te prende pra sempre.

E se depois de tanto tempo eu volto a escrever aqui, é pra te pedir, pra você mesmo, que está lendo isso aqui, pedir que você mergulhe. Sem dó nem piedade. Com amor. Não é todo dia que a própria Reciprocidade atravessa o seu caminho, é?